![]() O Relógio Quebrado de Eduardo
Eduardo era um homem meticuloso, obcecado por rotina. Todos os dias, acordava às 6h17, tomava café com exatamente duas colheres de açúcar e saía para o trabalho no mesmo horário, evitando até os mesmos rachaduras na calçada. Sua vida era medida em minutos, como o tique-taque do relógio de bolso que herdou do avô. Até que, numa manhã chuvosa, o relógio parou. O ponteiro ficou preso no "12", e Eduardo, pela primeira vez em anos, perdeu a noção do tempo. Desesperado, correu para a rua, mas o ônibus já havia passado. Enquanto esperava o próximo, viu uma criança chorando sob a marquise. Sem pensar, aproximou-se e descobriu que ela estava perdida. O que começou como um simples gesto—ajudá-la a encontrar os pais—transformou-se em horas de busca, conversas com estranhos e, no final, um café improvisado com a família agradecida. Eduardo riu de algo que não lembrava ter achado engraçado antes. No dia seguinte, ele não consertou o relógio. Deixou-o sobre a mesa, parado no mesmo horário, como um lembrete de que, às vezes, é preciso perder o tempo para ganhar a vida. Ana Pujol
Enviado por Ana Pujol em 30/03/2025
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