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Carlos acendia a churrasqueira e preparava as carnes enquanto bebia sua cerveja gelada. Era um dia ensolarado na casa da família Soares. Logo o cheiro de carne grelhando no ar se tornava irresistível, e o riso das crianças brincando no quintal se misturava ao som do crepitar do fogo na churrasqueira. No centro da mesa, reluzia uma faca de aço inoxidável, perfeita para cortar as suculentas costelas que estavam prestes a ser servidas. “Essa faca é a melhor que já tivemos!” exclamou Carlos, enquanto cortava as carnes. “Corta como manteiga!” “E é a única coisa que corta aqui, porque você não sabe fazer um bom tempero!” brincou sua esposa, Ana. A risada ecoou enquanto os convidados chegavam. Mas ninguém sabia que aquela faca tinha um destino sombrio. Entre os convidados estava Ricardo, um amigo de longa data da família, e também Mariana, uma colega de trabalho de Carlos. Ela sempre teve uma conexão especial com Ricardo, algo que não passova desapercebido por Ana. Durante o churrasco, Mariana lançou olhares furtivos para Ricardo sempre que ele falava. “Ricardo, você está bem?” perguntou Ana ao notar sua agitação. “Sim, só... pensando em algumas coisas,” ele respondeu evasivo. Mariana interrompeu: “Ricardo sempre pensa demais. Você deveria relaxar mais, amigo.” “É fácil para você dizer,” ele rebateu com um sorriso forçado. “Para voce esta tudo sempre bem.” A faca reluzia sob a luz do sol enquanto Carlos continuava a servir as carnes. “Ei, Ricardo! Quer ajudar a cortar? Essa faca aqui é afiada!” “Não... Eu prefiro não me envolver com facas hoje,” disse Ricardo , sua voz com um tremor indecifravel. Ana observou num momento que Mariana e Ricardo discutiam num canto. Ficou um pouco apreensiva mas deixou passar qualquer ideia que a aborrecesse. À noite, após o churrasco e as risadas, os convidados foram embora. A mesa agora estava cheia de pratos vazios e copos usados. Carlos foi até a cozinha para lavar a louça enquanto Ana recolhia algumas coisas na sala. Foi então que um grito cortou o silêncio da casa: “Ana! Venha rápido!” Ela correu para a cozinha e encontrou Carlos paralisado diante da mesa. A faca estava lá, mas agora estava manchada de vermelho. “O que aconteceu?” Ana perguntou, seu coração disparando. “Eu... eu não sei! Estava limpando e vi... vi algo no chão,” disse Carlos apontando com um gesto trêmulo. No chão, havia uma poça de sangue e um corpo caído – era Ricardo. Ana se ajoelhou ao lado dele, sentindo o medo tomar conta dela. “O que aconteceu com ele? Ele estava bem!” Agora tinha um corte profundo na garganta .
Carlos olhou fixamente para a faca. “Quem poderia ter feito isso?” Por quê?” Ana questionou, confusa e lembrando da discussão que virá entre Ricardo e Mariana. " Você viu quando Mariana foi embora ?" O marido deu de ombros sem entender. " O que você está pensando " Ana sentiu um pouco de repulsa pela faca sobre a mesa. “Nao sei. Eu os vi discutindo a tarde. Ela sempre olhava para ele de um jeito estranho... Percebi um pouco de ironia e alfinetadas entre eles. E naquela última conversa dela com ele antes do churrasco... havia algo naquele tom de voz.” Carlos tinha uma expressão tensa. Ana lembrou-se da conversa entre os dois. “Mas ela parecia apenas preocupada com ele.” “Preocupação pode esconder muito,” retrucou Carlos. A polícia chegou uma hora depois e começou a investigar. Enquanto os agentes examinavam a cena do crime, Ana olhou para Carlos e sussurrou: “O que nós vamos fazer?” “Nós não podemos deixar que isso nos destrua,” respondeu ele firme. “Precisamos contar a verdade.” Mas quando contaram tudo à polícia – sobre a festa, sobre as risadas e sobre a faca – algo não parecia certo. As perguntas começaram: “Por que Ricardo estava tão agitado? O que realmente aconteceu antes do grito de Carlos ?” As respostas se tornaram cada vez mais complicadas. A faca inofensiva agora era uma prova crucial em um crime misterioso que envolvia segredos antigos e rivalidades ocultas. Na noite fatídica, Ana percebeu que aquela faca não era apenas um utensílio de churrasco; ela havia se tornado uma testemunha silenciosa de traições e segredos enterrados nas sombras da amizade. E enquanto os policiais levavam Ricardo embora em uma maca coberta por um lençol branco, Ana fez uma promessa silenciosa: descobrir a verdade por trás daquela tragédia mas Mariana nunca mais foi vista. Ana Pujol
Enviado por Ana Pujol em 25/01/2025
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