![]() A Casa Antiga
Sou eu, a casa antiga, guardiã de histórias e segredos. Meus tijolos, desgastados pelo tempo, falam de dias ensolarados e tempestades ferozes. Ao toque, sinto a aspereza da madeira das minhas paredes, que já abraçaram risos e lágrimas. Cada ranhura conta um conto, cada lasca é um eco de risadas infantis que ressoam nas minhas salas. Ao abrir a porta, o rangido suave do meu portal ecoa como uma saudação. O ar dentro de mim é denso e cheio de memórias; um perfume suave de mofo misturado com o aroma adocicado das flores secas que guardo em cada canto. Uma essência de nostalgia permeia o ambiente, como se o tempo tivesse parado aqui. Meus janelões emolduram a luz do sol que entra com timidez, criando sombras dançantes no chão de tábuas largas. A luz é um convite para explorar cada recanto. Mas ao entardecer, quando a brisa fresca se instala, ouve-se o sussurro dos ventos que passam por mim, trazendo consigo histórias de fora. É como se as folhas das árvores dançassem ao ritmo do meu coração. A cozinha, com seu azulejo amarelo desbotado, ainda guarda o calor dos pratos quentes que já servi. O som do fogo crepitando na lareira me embala em lembranças de invernos aconchegantes. E mesmo agora, posso quase sentir o gosto do pão caseiro assando no forno, aquele sabor que traz conforto e união. No meu andar superior, os quartos são santuários de descanso. O toque suave dos lençóis antigos faz os visitantes sentirem-se em casa. Mas à noite, quando a lua se instala no céu, os sussurros do passado se tornam mais audíveis; os passos dos antigos moradores ecoam no corredor, como uma canção de ninar que embala os sonhos. E assim sigo eu, a casa antiga, tecendo uma tapeçaria viva de sentidos e memórias. Sim sou eu, a casa antiga, e meus móveis são como amigos de longa data, cada um com sua própria história. Na sala de estar, uma poltrona de veludo verde-escuro se destaca, suas almofadas macias foram moldadas por muitos momentos de aconchego. Ao lado, uma mesa de madeira escura, com marcas de copos e risquinhos feitos por crianças curiosas, é o palco de longas conversas e jogos em família. O piso de tábuas largas range sob os pés, contando segredos a cada passo. A luz do sol reflete nas superfícies polidas, aquecendo o ambiente com um brilho suave. Em algumas partes, o piso é coberto por tapetes persas desgastados, cujos padrões complexos ainda preservam um toque de elegância e história. No canto da sala, uma estante repleta de livros antigos aguarda visitantes curiosos. O cheiro do papel envelhecido é inebriante, e as lombadas coloridas sussurram promessas de aventuras em mundos distantes. Caminhando para a cozinha, o aroma do café fresco parece flutuar no ar. O fogão é antigo, com detalhes em cobre que brilham à luz do dia. As prateleiras estão cheias de utensílios de cerâmica e canecas que já abrigaram muitas xícaras fumegantes. Uma mesa robusta de madeira maciça ocupa o centro do espaço; suas marcas e arranhões falam das refeições compartilhadas e das risadas que ecoaram entre amigos. No quintal, a vida floresce em um jardim exuberante. As flores coloridas dançam ao vento: margaridas brancas, girassóis altos e rosas perfumadas que exalam uma doçura encantadora. Uma treliça coberta por hera se ergue orgulhosamente ao lado da cerca de madeira desgastada. A sombra das árvores frondosas proporciona um refúgio fresco nos dias quentes. O quintal também abriga um velho balanço pendurado em um galho forte; o seu rangido traz à tona risos infantis do passado. Um pequeno canteiro com ervas aromáticas perfuma o ar com notas de manjericão e alecrim. E ali perto, uma fonte antiga murmura suavemente, suas águas cristalinas refletindo o céu azul. Por fim, no meu andar superior, os quartos são santuários pessoais. Cada cama é adornada com colchas bordadas à mão que já aqueceram muitas noites frias. O piso é coberto por tapetes felpudos que acolhem os pés descalços ao amanhecer. E assim sigo eu, uma casa antiga, repleta de móveis que contam histórias e espaços que acolhem memórias vivas. Venha me visitar e deixe-se envolver pela magia que permeia cada canto do meu ser.
Ana Pujol
Enviado por Ana Pujol em 22/01/2025
Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|