![]() Havia um menino franzino, de olhar triste e pés descalços, sentado na calçada empoeirada com seu irmãozinho no colo. Seus rostos sujos denunciavam a dureza da vida que levavam nas ruas daquela cidade implacável. O menino segurava a mãozinha do irmão mais novo com ternura, como se buscasse protegê-lo do mundo áspero que os cercava. Os olhos suplicantes fitavam os transeuntes apressados, em busca de uma migalha de compaixão perdida na correria do dia a dia. Passavam pessoas de todos os tipos, alguns desviavam o olhar, outros soltavam um suspiro pesaroso antes de deixar uma moeda no chapéu estendido à frente dos meninos. Mas o menino sabia que aquelas moedas não eram apenas esmolas, eram gestos de solidariedade em meio à indiferença que muitas vezes imperava naquelas ruas. Menino: "O senhor não precisa fazer isso, nós vamos conseguir de outra forma." Senhor: "Meu jovem, não é uma questão de vocês conseguirem ou não. É sobre dividir o que temos com quem precisa. Por favor, aceitem este lanche." Menino: "Muito obrigado, senhor. Não sei como agradecer." Senhor: "Não há necessidade de agradecimentos. Vejo em vocês a coragem e a força que muitos adultos não possuem. Vocês são guerreiros lutando uma batalha difícil." Menino: "Às vezes parece que o mundo esqueceu da gente, mas gestos como o seu nos fazem acreditar que ainda há bondade por aí." Senhor: "O mundo pode ser cruel, é verdade. Mas também está cheio de pessoas dispostas a estender a mão para ajudar. Nunca percam a esperança, meninos." Nesse breve encontro na calçada, entre um menino desamparado e um senhor generoso, floresceu um diálogo marcado pela compaixão e pela solidariedade. Dois mundos diferentes se tocaram por um instante, lembrando-nos da importância de estendermos a mão ao próximo, mesmo que seja com um simples gesto de bondade. Enquanto o sol se punha no horizonte, pintando o céu de tons dourados, o menino acariciava os cabelos do irmão adormecido em seus braços magros. Ali, naquela calçada fria e impiedosa, ele encontrava um refúgio de amor e proteção, mesmo que fosse por breves instantes. E assim, entre sorrisos tímidos e lágrimas contidas, aquele menino na calçada ensinava ao mundo lições de humildade e resiliência, mostrando que mesmo nas situações mais adversas, o amor fraterno e a esperança podem florescer como pequenos raios de luz em meio à escuridão. Ana Pujol
Enviado por Ana Pujol em 19/01/2025
Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|