![]() A Dança do Silêncio
No coração da floresta, onde a luz do sol filtra-se em raios dourados, a natureza canta a sua canção. O sussurro das folhas nas árvores é um lembrete do tempo que passa, mas agora essa melodia se transforma em lamentos. Os pássaros, outrora vibrantes, voam em círculos, como se buscassem um lar que não existe mais. As águas dos rios, que antes dançavam alegremente entre as pedras, agora arrastam consigo os ecos de um passado esquecido. A correnteza carrega não apenas folhas e galhos, mas também memórias de um mundo que florescia em harmonia. As margens, enegrecidas pela poluição, gritam por socorro em silêncio. As flores, coloridas e perfumadas, murcham sob o peso da indiferença. Cada pétala caída é uma lágrima que se junta ao solo sedento, clamando por atenção. Os insetos, pequenos trabalhadores da terra, desaparecem como sombras ao entardecer, deixando para trás um vazio que ecoa nas noites estreladas. Os ventos sussurram segredos de destruição enquanto as máquinas rugem com voracidade. As árvores caem como gigantes adormecidos, e o chão treme sob o impacto da ganância humana. A fauna observa em pânico; os olhos dos animais refletem a dor de um lar que se esvai. E assim, a natureza caminha para a devastação, como uma bailarina perdida no palco da vida. Seu passo hesitante ecoa na vastidão do vazio. Cada folha que cai é um lamento; cada grão de areia levado pelo vento é uma promessa quebrada. Mas ainda há esperança nas frestas do desespero. Pequenos brotos lutam para emergir entre as fendas do concreto; flores silvestres desafiam o cinza com suas cores vibrantes. O ciclo da vida insiste em continuar, mesmo diante da adversidade. A natureza pode estar seguindo para a devastação, mas dentro dela ainda arde a chama da resistência. E enquanto houver um coração que bata em sintonia com o seu pulso, sempre haverá espaço para sonhar com renascimentos e recomeços. A dança pode ter mudado de ritmo, mas os ecos da esperança continuam a ressoar nas profundezas da terra. E assim seguimos: guardiões desse legado precioso, lutando para ouvir novamente a canção da vida ressoar entre as árvores e as águas. Ana Pujol
Enviado por Ana Pujol em 11/01/2025
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