![]() Colocando seu par de meias felpuda e a pantufa, levantou-se naquela manhã e foi tomar seu chá. Mas não sem antes colocar a ração para todos os seus bichanos. Isto fazia parte de sua rotina . Emily era uma mulher peculiar, conhecida na vizinhança como a “louca dos gatos”. Sua casa, uma charmosa construção vitoriana, estava sempre envolta em um suave aroma de ervas e chá. As janelas eram emolduradas por cortinas floridas, e no jardim, as flores dançavam ao vento, como se também fossem gatos, seguindo o ritmo da vida da dona. A primeira coisa que as pessoas notavam ao ver Emily era sua coleção de chapéus. Ela tinha chapéus para todas as ocasiões: um com penas extravagantes para os dias ensolarados, outro coberto de flores artificiais que pareciam ter saído de um conto de fadas e até mesmo um com orelhas de gato que fazia sucesso nas festas do bairro. Cada vez que ela saía de casa, era como se estivesse fazendo uma grande entrada em um desfile de moda felina.
Mas o que realmente chamava a atenção eram seus gatos. Emily tinha uma verdadeira legião deles: gatinhos de todas as cores e tamanhos se espalhavam pela casa. Eles se empoleiravam nos móveis, dormiam em cima dos livros e até faziam companhia a ela durante suas longas tardes de chá. Emily sempre dizia que cada gato tinha sua própria personalidade e que era uma alegria conhecê-los um por um. Uma tarde ensolarada, enquanto Emily se acomodava em sua poltrona favorita com uma xícara fumegante de chá verde e limão, seus gatinhos começaram a fazer alvoroço. A pequena MiauMiau estava arranhando a porta da frente insistentemente. Intrigada, Emily se levantou com seu chapéu florido balançando enquanto ela caminhava até a porta.
Ao abrir, ela ficou surpresa ao ver uma caixa de papelão encostada na entrada. O coração dela disparou ao imaginar o que poderia haver dentro. Com cuidado, ela se agachou e olhou para dentro da caixa. O que encontrou fez seu coração derreter: um filhotinho de gato com pelagem cinza claro e grandes olhos azuis a fitando com curiosidade. — Oh, meu Deus! — exclamou Emily, levando as mãos ao rosto em um gesto dramático. — Como você foi parar aqui, meu pequeno?
O filhotinho espreguiçou-se e deu um leve miado, como se estivesse respondendo à chamada da sua nova mamãe adotiva. Sem hesitar, Emily pegou o pequeno ser em seus braços e o trouxe para dentro de casa. — Você vai se chamar Nebuloso! — anunciou triunfante para os outros gatos, que observavam a cena com olhares intrigados. “Nebuloso” parecia adequado para aquele pequeno ser adorável que havia chegado sob a luz da lua numa noite fria. Nos dias seguintes, Nebuloso rapidamente se integrou à família felina de Emily. Ele corria pela casa como um furacão peludo, brincando com os outros gatos e fazendo travessuras que deixavam Emily às vezes exasperada, mas sempre rindo. Ele adorava subir nos chapéus dela e fazer deles seus tronos temporários.
Certa noite, depois de um dia particularmente agitado envolvendo uma competição entre os gatinhos para ver quem conseguia derrubar mais objetos da mesa (Nebuloso venceu com louvor), Emily decidiu preparar uma festa do chá especial para todos os seus amigos felinos. Com chapéus extravagantes enfeitados e uma mesa decorada com petiscos para gatos (e algumas bolachas de gengibre para ela), ela começou a organizar tudo. No auge da festa, quando todos estavam animados e Nebuloso estava no meio da mesa tentando alcançar um biscoito voador que flutuava pela sala devido à sua energia interminável, Emily percebeu algo curioso: seus gatinhos estavam todos reunidos ao redor do novo membro da família. Era como se eles estivessem celebrando não apenas a chegada do filhotinho, mas também o amor incondicional que compartilhavam. E assim foi como Emily não apenas ganhou mais um gato para sua coleção já encantadora, mas também reforçou a ideia de que nunca é tarde para abrir seu coração – ou sua casa – para aqueles que precisam dela. Naquela noite fria, cercada por suas adoráveis criaturas e com o sabor do chá ainda nos lábios, Emily sorriu ao perceber que ser “a louca dos gatos” era exatamente onde ela queria estar.
Ana Pujol
Enviado por Ana Pujol em 30/12/2024
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