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O Dia da Decisão
Maria estava na porta da igreja, pronta para entrar, de braços dados a seu pai. Um sorriso estampado no rosto bem maquiado mas as mãos tremiam e suavam ao mesmo tempo . Ela tinha decidido que estaria à frente de todos os preparativos para seu casamento com Miguel. Seus dias estavam todos comprometidos com afazeres da festa Maria pintava vasos de cerâmica em tons pastel, cada um com uma cor diferente que representava uma fase do relacionamento deles. Ela usa pincéis finos para adicionar pequenos detalhes, como corações ou frases inspiradoras. Em vez de arranjos tradicionais, ela optou por flores silvestres, como margaridas e lavanda, que trazem um ar rústico e natural. As flores são dispostas de forma assimétrica, ressaltando sua beleza . Ela criou um caminho pelo qual os noivos caminharão, usando pétalas de flores secas em várias cores. Isso não só adiciona um toque de cor, mas também simboliza a jornada que eles percorreram juntos. Maria elaborou luminárias feitas de papel reciclado, cortadas em formas geométricas. Quando acesas, elas projetam sombras encantadoras no ambiente, criando uma atmosfera mágica. Reproduziu algumas lanternas que seriam penduradas em árvores ou no teto, decoradas com cordas de luzes LED que piscavam suavemente. Para o altar, Maria criou uma instalação com pedaços de madeira e tecido colorido, formando um arco que simboliza a união. Ela também adiciona elementos naturais, como folhagens e frutas secas. Ao lado do altar, quadros pintados à mão mostram momentos marcantes do relacionamento deles, como o primeiro encontro e viagens. Cada mesa teria cartões escritos à mão que contavam uma pequena história sobre o casal ou uma citação favorita. Esses cartões foram colocados em suportes feitos de barro. Em vez de toalhas comuns, Maria usou diferentes texturas – linho, juta e renda – para cada mesa, criando um efeito visual interessante. O bolo, uma obra-prima com camadas decoradas em cores suaves e detalhes pintados à mão que representavam elementos da natureza – folhas, flores e até estrelas. O topo do bolo apresentava uma escultura feita por ela mesma dos dois noivos em miniatura. Como lembrança do casamento, cada convidado receberá uma pequena tela pintada por Maria e uma caneca personalizada com designs únicos. Maria se dedicou por meses para compor tudo do seu agrado e de Miguel. Chegado o dia festivo parecia que todos estavam felizes, cada convidado com seu convite personalizado feito por Maria. Era um dia radiante de primavera, e a pequena igreja estava decorada com flores brancas e lilases . Os convidados murmuravam animadamente, ansiosos para testemunhar a união de Maria e Miguel. Ela estava deslumbrante em seu vestido de noiva, que ela mesma desenhou; mas dentro dela, um turbilhão de emoções se desenrolava. Maria atravessou a igreja sorridente mas quase amparada por seu pai, as pernas estavam trêmulas . Enquanto o padre começava a cerimônia, Maria olhou para Miguel. Ele era tudo o que ela havia sonhado: gentil, carinhoso e sempre presente. Mas, ao mesmo tempo, ela sentia uma pressão crescente. A vida que estava prestes a escolher parecia confortável, mas também previsível. Ela sempre foi uma sonhadora, desejando aventuras e novas experiências. Quando chegou o momento de dizer "sim", algo dentro dela se partiu. Em um ato inesperado, Maria se virou e saiu correndo da igreja. O murmúrio dos convidados se transformou em um grito coletivo de surpresa. Ela não parou para olhar para trás; sua mente estava cheia de imagens de viagens, risadas e liberdade. Ela correu pelas ruas da cidade, sentindo o vento em seu rosto e a adrenalina pulsando em suas veias. O mundo lá fora parecia mais vibrante do que nunca. Maria sabia que estava deixando uma vida segura para trás, mas sentia que precisava encontrar a si mesma antes de se comprometer com alguém. Enquanto isso, Miguel ficou parado na igreja, atônito. Ele não conseguia entender o que havia acontecido. Os olhares dos convidados faziam-no sentir-se vulnerável e exposto. Alguns tentaram consolá-lo, mas ele só queria saber onde Maria havia ido. A fuga da noiva deixou todos intrigados. O que teria levado ela a tomar tal decisão? Através das janelas da igreja, Miguel viu a luz do sol brilhar intensamente. Ele percebeu que também tinha suas próprias dúvidas sobre o futuro que planejava com Maria. O dia continuou, mas o clima mudou completamente. As festividades foram ofuscadas pela ausência da noiva. Enquanto os convidados tentavam entender a situação . Maria caminhava pelas ruas da cidade, sentindo-se viva como nunca antes.Rasgou as mangas do vestido e ficou descalça, já havia largado o bouquet de flores naturais em algum lugar. A barra da longa saia do vestido estava suja de arrastar pelo chão. Diminuiu o passo e sentiu sede. Não tinha para onde ir. Sua cabeça era um turbilhão. Mais tarde seus pais a encontraram numa rua da cidade sentada ao lado de um morador de rua, um velho surdo e mudo que usava um papelão escrito, com carvão que necessitava de ajuda. Ele tinha vários papelões que utilizava para escrever e se aninhar no frio da noite. Maria pegava pedaços de papelão que ele lhe dava e com o carvão fazia desenhos a mão livre. Desenhou os carros na rua, os prédios, as árvores e o céu. Não parava de criar uma obra de arte atrás da outra. Não sabia de seu destino. Antes de pegá-la pelos braços, seu pai viu que ela estava em um dos papéis desenhando as folhas caídas de uma árvore.
Ana Pujol
Ana Pujol
Enviado por Ana Pujol em 09/12/2024
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