![]() Enquanto isto, na África Manoel e Lúcia travavam uma batalha sem fim para ajudar os necessitados em meio à problemas sociais e políticos. Ate que um dia, durante um descarregamento de suprimento de vacinas de um caminhão um grupo de jovens apareceram numa camionete. Era um grupo rival daquela comunidade. Havia uma guerra civel que assolava o país. Um tiroteio começou e foram jogadas algumas bombas na direção do caminhão com as vacinas. Manoel que estava a frente do desgarregamento foi alvejado por estilhaços de uma bomba. Tombado no chao, no meio da confusão, teve uma visão de Cristo na cruz. Quando tudo foi dispersado os médicos carregavam, entre os ferido, o corpo de Manoel ainda com vida. Lúcia estava de pé ao lado da cama, o coração acelerado enquanto os médicos examinavam Manoel. O ambiente estava carregado de tensão, mas havia uma luz tênue que parecia prometer esperança. Os rostos dos médicos eram sérios, mas havia um brilho em seus olhos quando um deles se virou para Lúcia. “Ele vai sobreviver”, disse ele, a voz firme, como se estivesse afirmando uma verdade inabalável. “As lesões são graves, mas estamos fazendo tudo o que podemos.” Lúcia sentiu um misto de alívio e ansiedade. Aquelas palavras eram como um bálsamo, mas ao mesmo tempo despertavam novas perguntas. Enquanto observava o marido, ela notou as chagas nos pulsos e nos pés dele — pequenas manchas rosas que pareciam pulsar com vida própria, cada filete de sangue parecendo contar uma história de dor e resistência. Ela se aproximou mais, os olhos fixos nas marcas que agora eram parte dele. O que aquilo significava? Aqueles estigmas, visíveis e dolorosos, poderiam ser um sinal de que ele voltaria a ser estigmatizado não apenas pelo mundo exterior, mas também por dentro? O que a vida reservava para eles a partir daquele momento? Manoel abriu os olhos lentamente e encontrou o olhar dela. Havia uma mistura de fragilidade e força em seu semblante. “Lúcia…” Ele começou a falar, mas as palavras falharam. Ela segurou a mão dele com toda a intensidade que conseguia reunir. “Estamos juntos”, ela sussurrou, tentando transmitir toda a sua determinação e amor. Mas mesmo enquanto falavam, a incerteza pairava entre eles como uma sombra. Se ele sobrevivesse, seria capaz de lidar com as consequências das marcas que agora carregava? E mais importante: ele ainda seria o mesmo Manoel que ela conhecera antes de tudo isso? Os médicos continuaram seu trabalho ao redor deles, mas Lúcia estava perdida em seus próprios pensamentos. A luta pela vida era apenas parte da jornada; havia também a batalha interna que Manoel enfrentaria ao se reconectar com sua própria identidade. E assim, enquanto os sons do hospital ecoavam ao fundo e as máquinas bipavam em um ritmo constante, Lúcia percebeu que o futuro ainda era um mistério. A possibilidade de cura coexistia com o peso das marcas — físicas e emocionais — que poderiam moldar quem Manoel se tornaria. O destino deles ainda estava por ser escrito. E ali, entre esperança e incerteza, ela segurou firme a mão dele, pronta para enfrentar qualquer caminho juntos. O amor deles era forte o suficiente para suportar as sombras do passado e as dúvidas do futuro. E assim terminou aquele capítulo de suas vidas: com a promessa de sobrevivência flutuando no ar e as marcas ainda frescas sobre a pele — um lembrete constante da luta travada e das perguntas que permaneceriam sem resposta.
AGRADEÇO A VOCE QUE ACOMPANHOU A NOVELA! AINDA TENHO MUITO QUE REVISAR! E VOCÊ QUE CHEGOU AGORA TE CONVIDO A LER DESDE O INICIO. MUITO OBRIGADA! Ana Pujol
Enviado por Ana Pujol em 07/12/2024
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