Ana Lago de Luz

E na beleza das flores... e nas ondas do mar!

Textos


O sol ainda estava se pondo quando o Padre Joaquim decidiu ir até o bispo para compartilhar a notícia surpreendente sobre Manoel. Ele caminhou pela trilha que levava à residência do bispo, seu coração batendo acelerado com a expectativa de como a revelação seria para ele. 

Ao entrar no escritório do bispo, Joaquim encontrou o homem sentado atrás de uma mesa imponente, cercado por livros e símbolos religiosos. "Padre Joaquim," o bispo começou, levantando os olhos. "O que traz você aqui tão apressado?"

"Excelência," Joaquim disse, ajustando suas roupas com um pouco de nervosismo. "As chagas de Manoel desapareceram. Ele está curado. Acreditamos que foi um milagre."

O bispo inclinou a cabeça, mas seu olhar era cético. "Um milagre? Ou uma coincidência? Você sabe que há muitos que buscam atenção e fama, não é?"

O bispo continuou, sua voz carregada de desconfiança. "Manoel sempre foi uma farsa, não é mesmo? Alguém que se aproveitou da compaixão dos outros para ganhar notoriedade." Ele fez uma pausa e acrescentou com um tom sarcástico: "Deus venceu o demônio, aparentemente. Mas será que não estamos apenas lidando com mais uma encenação humana?"

Joaquim sentiu uma onda de indignação crescer dentro dele. "Excelência, eu conheço Manoel! Ele nunca buscou fama ou reconhecimento. Sua dor era real e sua luta também."

 

"O que você diz pode ser verdade," respondeu o bispo, com um sorriso irônico. "Mas em tempos como esses, precisamos ser cautelosos. O diabo é astuto e pode se disfarçar como um anjo de luz."

 O padre lutava contra a frustração ao ouvir as palavras do bispo. Ele sabia que Manoel havia passado por uma transformação genuína e que seu sofrimento havia tocado muitos corações na comunidade. Mas a incredulidade do bispo parecia inabalável.

"Se Manoel realmente foi curado," continuou o bispo, "poderíamos ver isso como um teste da fé dele e da nossa comunidade. Mas devemos nos perguntar: por que agora? Por que não antes? Isso não parece mais uma trama bem elaborada?"

 Determinado a defender Manoel, Joaquim levantou-se e disse: "Excelência, milagres acontecem quando menos esperamos. Não podemos deixar que o ceticismo nos impeça de ver a mão de Deus agindo em nossas vidas."

O bispo olhou fixamente para Joaquim, avaliando suas palavras. "Você pode acreditar no que quiser, Padre Joaquim. Mas lembre-se: a fé é uma coisa delicada e devemos sempre estar atentos às armadilhas do engano."

Com isso, Joaquim deixou o escritório do bispo sentindo-se dividido entre a esperança pela cura de Manoel e a frustração diante da falta de fé do líder religioso. Ele sabia que precisava voltar à comunidade e contar a verdade sobre Manoel — mesmo que alguns se recusassem a acreditar.

 Ao retornar à aldeia, Joaquim ponderava sobre como as chagas de Manoel poderiam ser vistas como um símbolo poderoso de resiliência e renovação espiritual. Ele estava determinado a lutar por essa verdade e ajudar todos ao seu redor a entenderem que os milagres podem surgir das situações mais inesperadas — mesmo em meio ao ceticismo.

E assim, enquanto as sombras da noite começavam a cair sobre a aldeia, Joaquim preparava-se para enfrentar os desafios à frente — não apenas para defender Manoel, mas também para reacender a chama da fé naqueles que estavam prontos para acreditar na possibilidade de um milagre verdadeiro.

Ana Pujol
Enviado por Ana Pujol em 07/12/2024
Copyright © 2024. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras