![]() O sofrimuento de Manoel parecia interminável até que, no domingo de Páscoa, algo extraordinário aconteceu. Ao amanhecer, a luz suave do sol iluminou a casa onde ele havia estado deitado, e um silêncio reverente envolvia a aldeia. Os vizinhos, que tinham passado dias em vigília, estavam prestes a testemunhar um milagre. Quando Antônio entrou no quarto de Manoel naquela manhã, ficou paralisado. O amigo estava de pé, na varanda, olhando para o horizonte com um semblante sereno. Ele não tinha nenhuma chaga visível em seu corpo. As marcas que antes contavam uma história de dor haviam desaparecido como se nunca tivessem existido. "Manoel!" Antônio exclamou, correndo até ele. "Você está... você está bem?" Manoel virou-se lentamente e sorriu, seu olhar radiante refletindo uma paz inexplicável. "Sim, Antônio. Eu estou bem." Ele parecia revigorado, como se tivesse renascendo. Mas a verdadeira surpresa veio quando Antônio se lembrou do lençol que havia coberto Manoel durante os momentos críticos. Ele foi até o quarto e puxou o lençol branco para revelar uma imagem inquietante: a silhueta ensanguentada de um corpo de homem, marcando a memória do sofrimento que havia sido experimentado ali. "Olhe isso!" Antônio chamou Manoel, que se aproximou rapidamente. Ambos ficaram em silêncio ao observar a imagem impressionante que parecia contar uma história própria. "É como se... algo tivesse acontecido aqui," disse Manoel. A notícia da recuperação milagrosa de Manoel rapidamente se espalhou pela aldeia. As pessoas começaram a chegar à casa dele em grupos, trazendo flores e palavras de alegria. A incredulidade e a esperança estavam misturadas nos rostos dos vizinhos. Salustiano também chegou apressado ao ouvir sobre o ocorrido. Ao ver Manoel na varanda, ele não pôde acreditar no que estava diante dele. "Isso é impossível! Você estava... você estava tão mal!" disse o médico, sem conseguir esconder sua surpresa. Manoel sorriu novamente e respondeu: "Eu não sei como aconteceu, doutor. Apenas sei que estou aqui agora." Naquele momento mágico, todos começaram a refletir sobre o significado do que haviam testemunhado. O milagre da recuperação não era apenas sobre a saúde restaurada de Manoel; era também um símbolo da força da fé e da comunidade unida em tempos difíceis. Os vizinhos se reuniram na varanda para celebrar juntos. As risadas e as lágrimas de alegria misturavam-se ao som dos sinos da igreja tocando ao longe, marcando a ressurreição não apenas de um homem, mas também da esperança que havia renascido na aldeia. E assim, naquele domingo de Páscoa, enquanto todos celebravam a vida e os novos começos, Manoel soube que nunca estaria sozinho novamente — não apenas por ter recuperado sua saúde, mas por ter uma comunidade inteira ao seu lado disposta a lutar juntos contra as adversidades da vida. Ana Pujol
Enviado por Ana Pujol em 06/12/2024
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