Ana Lago de Luz

E na beleza das flores... e nas ondas do mar!

Textos


Na sexta-feira santa, a atmosfera de luto e reflexão que normalmente pairava sobre a aldeia tornou-se ainda mais pesada com a tragédia que se abateu sobre a família de Manoel. Ele, um homem forte e trabalhador, estava agora deitado em sua cama, com o corpo marcado e ensanguentado. As feridas em sua cabeça e nas costas contavam uma história de dor e sofrimento, e o pânico tomou conta da casa.

 Antônio, preocupado com o estado do amigo, não hesitou em chamar o médico Salustiano. O som do cavalo do médico ecoava pelas ruas silenciosas da aldeia enquanto ele se dirigia rapidamente à casa de Manoel. Ao entrar, ficou chocado com a cena diante dele.

"Meu Deus, o que aconteceu?" exclamou Salustiano, apressando-se para examinar Manoel. Ele viu as marcas profundas e o sangue que escorria, e seu coração se apertou ao perceber a gravidade da situação.

Salustiano trabalhou rapidamente, limpando as feridas e tentando estancar o sangue. "Antônio," disse ele com seriedade, "precisamos fazer tudo o que pudermos. Ele está em estado crítico."

Antônio olhava para Manoel com lágrimas nos olhos. "Ele é forte, doutor. Não pode nos deixar assim."

Mas Salustiano sabia que a situação era delicada. Enquanto tratava das feridas, ele pensava na possibilidade de ter que cobrir o corpo de Manoel com um lençol branco, um pensamento que lhe cortava o coração. A ideia de perder um amigo tão querido era insuportável.

 Mesmo diante da gravidade do momento, havia uma esperança que pairava no ar. Os vizinhos começaram a se reunir fora da casa, fazendo preces silenciosas pela recuperação de Manoel. A fé da comunidade era palpável, e todos acreditavam que milagres poderiam acontecer.

Salustiano terminou os primeiros socorros e olhou para Antônio. "Agora precisamos esperar. O corpo dele precisa lutar contra isso."

Antônio assentiu, segurando a mão de Manoel com força. "Ele vai superar isso," murmurou com determinação.

 Ao longo das horas seguintes, a casa se encheu de pessoas que traziam comida e palavras de conforto para Antônio e sua família. As orações ecoavam pela aldeia enquanto todos aguardavam ansiosamente por notícias sobre a condição de Manoel.

Naquela noite fria de sexta-feira santa, enquanto as velas iluminavam os rostos preocupados dos presentes, uma sensação de união tomou conta do lugar. Todos estavam ali por amor e amizade, prontos para apoiar um ao outro em tempos difíceis.

Assim, mesmo em meio à dor e à incerteza, a aldeia se uniu em torno de Manoel, demonstrando que a verdadeira força reside na solidariedade e na esperança compartilhada entre os membros da comunidade. A luta pela vida continuaria, mas eles estavam juntos nessa jornada desafiadora.

Ana Pujol
Enviado por Ana Pujol em 06/12/2024
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