Ana Lago de Luz

E na beleza das flores... e nas ondas do mar!

Textos


Certa manhã, o sol começava a raiar, iluminando suavemente o quarto simples do sítio. Sr. Antônio acordou com um pressentimento inquieto, como se algo estivesse errado. Ao se levantar, ele foi em direção ao quarto de Manoel e encontrou a porta entreaberta. O coração acelerou quando ele entrou e viu Manoel estirado na cama, pálido e coberto por uma poça de sangue.

“Manoel! O que aconteceu?” Antônio gritou, correndo até ele. O desespero tomou conta de seu coração enquanto ele tentava avaliar a situação. O homem parecia inconsciente, e a gravidade da cena o paralisava por um momento.

 Antônio rapidamente pegou um pano limpo que estava sobre uma mesa e pressionou contra a ferida na lateral do corpo de Manoel, tentando estancar o fluxo de sangue. Ele não sabia exatamente o que fazer, mas a urgência o impelia a agir. “Por favor, Manoel! Acorde!” ele implorou, sua voz tremendo.

Enquanto tentava socorrê-lo, uma pomba branca entrou pela janela aberta, voando suavemente até pousar na cabeceira da cama. Antônio ficou surpreso com a aparição do pássaro; era um momento quase surreal. A pomba olhou para ele com olhos serenos e penetrantes, como se estivesse ciente da gravidade da situação.

O olhar da pomba parecia transmitir uma calmaria profunda em meio ao caos que cercava Antônio. Ele parou por um momento para observar a ave; havia algo mágico e reconfortante em sua presença. Era como se ela estivesse ali para lembrar que havia esperança mesmo nas situações mais sombrias.

“Você está aqui para ajudar?” Antônio sussurrou para a pomba, sentindo uma conexão inexplicável com aquele ser delicado. A pomba inclinou a cabeça levemente, como se estivesse ouvindo suas palavras.

 Com um novo ânimo, Antônio voltou a focar em Manoel. Ele sabia que precisava agir rápido e decidiu buscar ajuda na aldeia próxima. Mas antes de sair, olhou novamente para a pomba. “Fique aqui com ele,” pediu, “você pode ser o que ele precisa agora.”

Assim que saiu correndo em direção à aldeia, sentiu uma onda de determinação crescer dentro dele. Ele não apenas estava buscando ajuda médica; estava determinado a salvar o homem que havia trazido tanta vida ao seu sítio.

Enquanto isso, na cama, Manoel permanecia inconsciente, mas a pomba branca continuava ali, silenciosa e vigilante. Sua presença parecia envolver o ambiente em uma aura de paz e proteção, como se estivesse guardando os sonhos de Manoel até que ele pudesse despertar novamente.

Após alguns momentos que pareceram eternos, Antônio retornou com um médico da aldeia e alguns moradores dispostos a ajudar. Ao entrarem no quarto, todos se surpreenderam ao ver a pomba ainda pousada na cabeceira da cama.

“Ela está aqui para cuidar dele,” disse Antônio com fé renovada. E assim começou o processo de cura — não apenas físico, mas também espiritual — sob o olhar atento daquela pomba branca mágica que parecia simbolizar esperança em meio ao desespero.

Ana Pujol
Enviado por Ana Pujol em 04/12/2024
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