Ana Lago de Luz

E na beleza das flores... e nas ondas do mar!

Textos


No sítio, a atmosfera era completamente diferente do que Antônio esperava. Assim que chegaram, Manoel começou a explorar o local, e logo os animais começaram a se aproximar dele. Primeiro, foi um pequeno cachorro que correu até ele, abanando o rabo com uma alegria contagiante. Depois, um grupo de pássaros pousou nas árvores próximas, cantando de forma harmoniosa. Antônio observava tudo com perplexidade.

 Manoel parecia ter uma conexão especial com a natureza. À medida que caminhava pelo sítio, flores começavam a brotar ao seu redor, como se estivessem respondendo à sua presença. As cores vibrantes das pétalas contrastavam com o solo árido e ressecado que antes dominava a paisagem. Antônio não conseguia acreditar no que estava vendo; era como se a vida estivesse sendo despertada por aquele homem.

“Como isso é possível?” Antônio perguntou, tentando entender o fenômeno diante de seus olhos. “Você tem algum tipo de poder?” 

Manoel sorriu, mas havia uma humildade em seu olhar. “Não é poder, Sr. Antônio. É simplesmente amor e respeito pela vida ao nosso redor. A natureza responde à nossa energia e intenções.” 

 Enquanto Manoel continuava a andar, ele começou a tocar o solo com as mãos, e algo mágico aconteceu: a terra seca começou a se transformar. O solo, antes estagnado, agora exibia sinais de fertilidade; pequenas ervas verdes começaram a surgir e brotos frescos emergiam do chão. Era como se o próprio sítio estivesse despertando de um longo sono.

Antônio ficou em silêncio, absorvendo tudo aquilo. Ele sentia uma mistura de admiração e desconforto; sua visão limitada sobre controle e poder estava sendo desafiada por uma verdade mais profunda — aquela de que a verdadeira força vinha da harmonia com o mundo natural.

 Ao entrar na casa do sítio, Manoel percebeu que as janelas estavam abertas e os pássaros começaram a entrar suavemente, como se estivessem sendo atraídos por uma força invisível. Eles voavam em círculos pela sala, criando um espetáculo colorido e alegre.

“Isso é incrível!” Antônio exclamou, ainda tentando processar tudo o que estava acontecendo. “Você realmente tem um jeito especial com os animais e plantas.”

“Não sou eu quem faz isso,” respondeu Manoel com sinceridade. “É uma troca; quando respeitamos o que está ao nosso redor, recebemos em troca amor e beleza.” 

 Enquanto observava as flores desabrochando e os pássaros dançando no ar, Antônio começou a refletir sobre sua própria vida e suas intenções sombrias. O contraste entre sua visão de controle e o amor que emanava de Manoel fazia seu coração pesar.

“Talvez eu tenha me perdido no caminho,” disse ele em voz baixa, quase para si mesmo. “Preciso entender isso tudo melhor.” 

Manoel olhou para ele com compaixão. “Todos nós temos nossas lutas internas, Sr. Antônio. O importante é reconhecer isso e buscar a cura.” E assim, sob o sol radiante do sítio, ambos começaram uma jornada não apenas para revitalizar a terra ao seu redor, mas também para curar suas próprias almas em meio à beleza da natureza florescendo ao seu redor.

Ana Pujol
Enviado por Ana Pujol em 04/12/2024
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