Ana Lago de Luz

E na beleza das flores... e nas ondas do mar!

Textos


O encontro entre Manoel e o Sr. Antônio aconteceu em um velho bar da cidade, onde a luz suave do fim da tarde filtrava-se pelas janelas empoeiradas. Manoel já havia ouvido rumores sobre Antônio e sentia uma mistura de curiosidade e desconfiança em relação ao homem que tentara convencer D Maria a afastá-lo.

 Quando Manoel entrou no bar, notou que Antônio estava sentado sozinho em uma mesa no canto, a expressão no rosto um tanto sombria. O ar estava carregado de tensão, e o ambiente parecia sussurrar segredos não ditos. Aproximando-se, Manoel cumprimentou-o com um aceno de cabeça, mas logo percebeu que havia algo estranho na aura de Antônio.

 “Você está aqui para me convencer a ir para o sítio, não é?” Manoel disse diretamente, sem rodeios. Antônio sorriu de maneira enigmática, mas os olhos não refletiam a mesma alegria. “Só quero o bem da cidade e o seu bem, Manoel,” respondeu o homem, tentando manter a compostura.

“Você fala em cura, mas sinto que seu coração não é puro,” Manoel afirmou com firmeza. “Suas palavras têm um peso diferente; há algo obscuro nas suas intenções.” O olhar penetrante de Manoel fez Antônio hesitar por um momento. Era como se o homem frágil estivesse sendo desnudado diante dele.

A expressão de Antônio mudou; ele parecia mais inquieto. “Você não entende!” exclamou ele, levantando-se abruptamente. “A cidade está doente, e você é parte do problema! Às vezes, é necessário fazer sacrifícios para restaurar a ordem.” 

Manoel respirou fundo, percebendo que estava diante de alguém que não hesitaria em usar métodos questionáveis para alcançar seus objetivos. “E qual é exatamente sua ideia de ordem? Afastar aqueles que você considera indesejáveis? Isso não é cura; isso é controle,” respondeu el

Após essa troca intensa de palavras, Manoel sentiu uma onda de clareza. Ele sabia que precisava se afastar daquela situação e dar um tempo para refletir sobre tudo. A proposta do sítio começou a parecer mais como uma fuga do que uma solução real. “Talvez você precise de cura mais do que eu,” disse Manoel com compaixão genuína.

“Vou com você para o sítio,” declarou finalmente, surpreendendo até mesmo a si mesmo. “Não porque eu confie em você ou no que está fazendo, mas porque preciso entender melhor essa situação e encontrar minha própria paz.” 

Antônio sorriu novamente, mas dessa vez havia uma mistura de satisfação e algo mais sombrio em seu olhar — como se ele tivesse conseguido manipular a situação a seu favor. Enquanto os dois se preparavam para partir, Manoel sabia que essa jornada seria mais do que apenas uma viagem ao sítio; seria um caminho para descobrir verdades ocultas e enfrentar os próprios demônios.

 Assim, Manoel decidiu seguir Antônio até o sítio, mas com um alerta interno aceso. Ele estava determinado a explorar as intenções obscuras daquele homem e proteger sua própria essência ao longo do caminho. A partida seria apenas o começo de uma luta maior — uma luta pela verdade e pela liberdade em meio às sombras que ameaçavam engolir a cidade inteira.

Ana Pujol
Enviado por Ana Pujol em 03/12/2024
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