Ana Lago de Luz

E na beleza das flores... e nas ondas do mar!

Textos


Enigma dos estigmas  - capítulo 8

 

 

O médico, Dr. Ricardo, era conhecido por seu ceticismo e por sua abordagem científica. Quando recebeu a notícia sobre os estigmas de Manoel, ele ficou intrigado, mas também um pouco cético. Decidiu que precisava ver aquilo de perto.

Na manhã seguinte, ele chegou ao centro de candomblé onde Manoel estava sendo acolhido pela comunidade. O ambiente vibrante contrastava com a seriedade da missão do médico. Ele foi recebido calorosamente, mas havia uma expectativa no ar; todos queriam saber o que ele pensava sobre os estigmas.

“Manoel”, começou Dr. Ricardo, “pode me mostrar suas feridas?”

Manoel assentiu e, com um gesto calmo, levantou as mangas da camisa. As marcas eram impressionantes — feridas abertas em seus pulsos e nas palmas das mãos, mas não havia sinais de infecção ou inflamação. O médico se aproximou, observando cada detalhe.

“Como isso é possível?”, murmurou ele para si mesmo, perplexo. Ele examinou as feridas com cuidado, sentindo a pele ao redor e notando a ausência de dor aparente em Manoel. “Você não sente nada? Nenhuma dor?”

“Não, doutor”, respondeu Manoel com serenidade. “São marcas que fazem parte da minha história e do meu propósito.”

Dr. Ricardo franziu a testa. Ele era um homem da ciência e não podia aceitar simplesmente o que via sem uma explicação lógica. Mas ali estava ele, diante de algo que desafiava todas as suas convicções.

Após examinar as feridas minuciosamente e realizar algumas perguntas sobre como Manoel se sentia fisicamente e emocionalmente, o médico percebeu que não tinha respostas concretas. Era como se aquelas marcas fossem parte de algo maior que ele mesmo.

“Vou receitar alguns curativos para proteger as feridas e evitar qualquer risco de infecção”, disse ele finalmente, escrevendo na receita com uma caneta hesitante. “Mas preciso que você me avise se sentir qualquer mudança.”

Manoel sorriu agradecido. “Agradeço pela sua preocupação, doutor. O importante é que estou cercado por pessoas que me apoiam.”

Enquanto Dr. Ricardo se preparava para sair, ele sentiu uma mistura de respeito e confusão em relação a Manoel e sua situação. Aquele homem estava desafiando suas crenças mais profundas sobre a medicina e o corpo humano.

No caminho para casa, o médico refletiu sobre o que havia testemunhado. As feridas de Manoel não eram apenas físicas; elas carregavam um significado profundo para ele e para todos ao seu redor. A experiência o fez questionar se talvez houvesse mais entre céu e terra do que a ciência pudesse explicar.

Dr. Ricardo estava determinado a entender melhor o fenômeno dos estigmas — não apenas como médico, mas como um ser humano em busca de respostas para as questões mais complexas da vida e da fé.

E assim, enquanto o Carnaval continuava a celebrar a união das tradições e das esperanças da comunidade, o médico começou sua própria jornada interna em busca de compreensão — um caminho que poderia levá-lo a descobrir que a ciência e a espiritualidade muitas vezes dançam juntas em harmonia inesperada.

Ana Pujol
Enviado por Ana Pujol em 02/12/2024
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