Ana Lago de Luz

E na beleza das flores... e nas ondas do mar!

Textos


Enigma.dos estigmas  - capítulo 7

 

 

No calor do Carnaval, a cidade pulsava com alegria, música e cores vibrantes. Enquanto as pessoas dançavam e celebravam nas ruas, uma tensão crescente se formava nas sombras. A notícia sobre Manoel e seus estigmas havia chegado aos ouvidos do bispo, que não poderia ignorar o que considerava uma ameaça à sua autoridade e à doutrina da Igreja.

“Padre Joaquim!” chamou o bispo, sua voz grave ressoando no gabinete. “Precisamos conversar sobre essa situação de Manoel. Não podemos permitir que essa história se espalhe como um incêndio.”

O padre, um homem de fé inabalável e de convicções firmes, observou o bispo com um olhar sério. “Excelência, o que o senhor sugere? O povo está buscando esperança em Manoel. Eles acreditam que ele possui algo divino.”

“Divino?” O bispo fez uma pausa, balançando a cabeça em desaprovação. “Essas marcas não são sinais de santidade, mas sim enganos. Precisamos dar um fim a isso antes que se torne um culto.”

A determinação do bispo era clara, e padre Joaquim sabia que sua missão era proteger a fé da comunidade. “E como pretende fazer isso?”, perguntou ele, ciente das implicações.

“Vamos até o centro de candomblé durante as festividades”, disse o bispo, um plano já se formando em sua mente. “Lá, entre os rituais e as danças, podemos desmascarar essa farsa.”

O padre hesitou. O candomblé era uma parte importante da cultura local, e invadir suas celebrações poderia causar um grande tumulto. Mas ele também sabia que a lealdade ao bispo e à Igreja exigia ação.

Na noite de Carnaval, enquanto os tambores ecoavam e as vozes se elevavam em louvor aos orixás, Padre Joaquim e o bispo chegaram ao centro de candomblé. As pessoas estavam envolvidas em danças hipnóticas, vestidas com roupas coloridas e adornos brilhantes. A energia era contagiante.

Os olhos do padre se fixaram em Manoel, que estava no meio da celebração, cercado por pessoas que buscavam conforto e cura. O semblante de Manoel era sereno; ele estava em paz com sua presença ali.

“É hora de agir”, sussurrou o bispo para Joaquim. Com passos firmes, eles avançaram para o centro do círculo.

“Manoel!” gritou o bispo com autoridade. “Você está enganando estas pessoas! Essas marcas não são sagradas! Você deve parar com isso imediatamente!”

A música parou abruptamente, e todos os olhos se voltaram para os recém-chegados. A atmosfera mudara instantaneamente; havia uma mistura de confusão e indignação entre os presentes.

Manoel olhou para o bispo com calma. “Excelência”, começou ele suavemente, “não estou aqui para enganar ninguém. Apenas compartilho minha história e meu sofrimento.”

“Mas você não tem poder! Isso é uma ilusão!” O bispo insistia, sua voz elevada cortando a tensão no ar.

Os seguidores começaram a murmurar entre si; alguns pareciam incomodados com a interrupção da celebração sagrada enquanto outros olhavam para Manoel em busca de respostas.

“Todos nós buscamos algo maior”, disse Manoel firmemente agora. “Seja na fé cristã ou nas tradições afro-brasileiras. O que importa é a conexão entre nós — a esperança que encontramos uns nos outros.”

O povo começou a se agitar; muitos levantaram suas vozes em apoio a Manoel. A força da comunidade era palpável, desafiando a autoridade do bispo.

Padre Joaquim sentiu o peso do momento. Ele sabia que estava diante de uma escolha: seguir ordens ou ouvir seu coração.

“Excelência”, disse ele finalmente, “talvez devêssemos ouvir as vozes dessas pessoas antes de agir precipitadamente.” 

O bispo olhou para Joaquim surpreso pela defesa inesperada do padre. A multidão estava unida em torno de Manoel agora; os cânticos começaram novamente, mais fortes do que antes.

A luta entre duas visões — uma de controle e outra de liberdade — estava prestes a definir aquele instante mágico do Carnaval.

O carnaval continuou na praça enquanto as cores vibrantes giravam ao redor deles; Manoel permaneceu firme no centro da roda formada pela comunidade, simbolizando não apenas sua própria luta, mas também a resistência daqueles que buscavam um lugar onde suas crenças pudessem coexistir em harmonia.

O destino de todos estava nas mãos daquele momento efêmero — um carnaval onde a fé se encontrava com a tradição e as esperanças eram renovadas sob as luzes brilhantes da celebração coletiva.

 

 

 

Nao perca amanhã o desenrolar desta curiosa história. ! Está faltando uma opinião médica,  vocês  não acham ? Espero por vocês! 

Ana Pujol
Enviado por Ana Pujol em 01/12/2024
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