![]() Enigma dos estigmas - capítulo 6
Manoel estava sentado em sua cadeira de balanço na varanda de sua casa, observando o pôr do sol que tingia o céu de laranja e rosa. A brisa suave trazia consigo o cheiro da terra molhada, e ele se sentia em paz, imerso em pensamentos. Mas essa tranquilidade logo seria interrompida. Um grupo de pessoas começou a se aproximar, algumas com semblantes cansados e outros com olhares de esperança. Manoel reconheceu alguns deles: eram moradores da vila que vinham em busca de cura. Ele havia se tornado uma figura conhecida, não apenas pela sabedoria que compartilhava, mas também pelos estigmas que carregava — marcas que muitos acreditavam serem um sinal divino. “Boa tarde, Manoel!” disse Ana, uma mulher com um olhar aflito. “Viemos até você porque acreditamos que suas marcas podem nos ajudar.” Manoel sorriu gentilmente, mas a preocupação começou a se formar em seu coração. Ele sabia que não era um curandeiro; suas marcas eram um mistério para ele mesmo. No entanto, a fé das pessoas era palpável. “Entrem, por favor”, convidou ele, gesticulando com a mão. “Vamos conversar.” O grupo entrou na casa simples, mas acolhedora. As paredes estavam decoradas com imagens de santos e pequenos altares improvisados. Manoel se sentou à mesa e os convidou a fazer o mesmo. “Me contem o que os trouxe aqui”, disse ele, olhando nos olhos de cada um. O grupo começou a compartilhar suas histórias: doenças crônicas, dores inexplicáveis e desespero por curas que pareciam distantes. “Eu tenho uma dor nas costas que não vai embora”, disse Carlos, um homem idoso com um olhar triste. “Já tentei de tudo e só ouvi falar de você.” “E eu estou lutando contra uma enfermidade há anos”, complementou Maria, uma jovem mãe cheia de preocupação por seus filhos. “Acreditamos que suas marcas podem nos trazer alívio.” Manoel ouviu atentamente cada relato, sentindo o peso das dores alheias sobre seus ombros. Ele sabia que não tinha poder mágico, mas também compreendia a força da fé e da esperança. “Eu não sou um curandeiro”, explicou ele suavemente. “Minhas marcas são parte da minha história, mas não sei se têm o poder de curar alguém.” As expressões no rosto das pessoas mudaram para desânimo. Mas Manoel continuou: “O que posso oferecer é escuta e empatia. Às vezes, compartilhar nossas dores já é um passo importante para a cura.” Carlos olhou para Manoel com admiração. “Mas você já passou por tanto… talvez sua experiência possa nos ajudar.” “Sim”, concordou Maria, segurando as mãos dele com força. “Acreditamos na sua energia.” Manoel suspirou profundamente. Ele percebeu que as pessoas não estavam apenas buscando cura física; elas queriam conexão e compreensão em meio ao sofrimento. “Vamos fazer algo juntos”, propôs ele. “Podemos rezar e meditar como uma forma de unir nossas energias.” Os rostos começaram a se iluminar novamente enquanto eles assentiam com entusiasmo. Manoel liderou o grupo em uma oração simples, pedindo forças e alívio para cada um deles. Ele sentiu a energia coletiva pulsando no ambiente — uma mistura de esperanças e sonhos renascendo. Após alguns minutos de silêncio profundo, Manoel abriu os olhos e viu lágrimas nos rostos dos presentes — não só pela dor, mas pela sensação renovada de união. “Lembrem-se”, ele disse suavemente ao final da oração, “a cura pode vir de muitas formas: física, emocional ou espiritual. O importante é nunca perder a fé.” Os doentes deixaram a casa de Manoel com corações mais leves e sorrisos tímidos no rosto. Embora as marcas dele permanecessem inalteradas, naquele momento ele havia proporcionado algo muito maior — um vislumbre de esperança em meio à dor e um lembrete poderoso da força da comunidade unida pela fé e amor mútuo. Ana Pujol
Enviado por Ana Pujol em 30/11/2024
Copyright © 2024. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|