![]() Enigma dos estigmas - capítulo 4
Era uma manhã ensolarada quando Manoel se sentou no jardim da igreja, cercado por flores de todas as cores. O aroma doce das rosas misturava-se ao perfume suave das lavandas, criando uma sinfonia olfativa que o envolvia. Ele sempre amou aquele lugar, onde a natureza parecia sussurrar segredos divinos, mas hoje era diferente. Enquanto contemplava as flores, um leve formigamento começou a surgir em seus pulsos. Ele sabia o que estava por vir. Era um sinal familiar: a dor que precedia os estigmas. Mas, em vez de medo, havia uma expectativa estranha. Quando o primeiro fio de sangue brotou de sua pele, algo mágico aconteceu. Assim que o sangue começou a escorrer, um novo aroma tomou conta do ar. Era como se as flores ao seu redor exalassem um perfume ainda mais intenso e vibrante. Ele fechou os olhos e respirou fundo, permitindo que os cheiros o envolvessem. As rosas pareciam bradar com um tom mais profundo, enquanto as margaridas dançavam com uma leveza etérea. “É como se a dor trouxesse à tona a essência das flores”, pensou Manoel, maravilhado. Cada gota de sangue parecia harmonizar-se com a natureza ao seu redor, como se ele fosse parte de algo maior e sagrado. O cheiro das flores se tornava um bálsamo para suas feridas, transformando o sofrimento em uma experiência transcendental. Manoel abriu os olhos e observou as abelhas zumbindo alegremente entre as flores. Ele sentiu uma conexão profunda com aquelas criaturas laboriosas — assim como elas polinizavam as flores, ele também desejava espalhar amor e compaixão pelo mundo. Em meio à dor física, havia uma beleza indescritível na maneira como o jardim respondia ao seu sofrimento. “Eu sou parte deste ciclo”, murmurou para si mesmo, enquanto mais sangue brotava de seu corpo. O aroma das flores se intensificava com cada batida de seu coração. Era uma dança entre dor e beleza, entre vida e sacrifício. A sensação de estar conectado à terra e ao céu era avassaladora. Ele percebeu que não estava sozinho; a natureza estava ali com ele, testemunhando sua batalha interna e suas marcas externas. E naquele momento, Manoel compreendeu que seus estigmas não eram apenas um fardo — eram também um chamado para vivenciar a vida em sua plenitude, mesmo nas horas mais sombrias. Com um sorriso sereno nos lábios e lágrimas misturadas ao sangue e ao perfume das flores, Manoel sentiu-se fortalecido. Ele sabia que cada vez que sangrasse, seria lembrado da beleza que poderia emergir da dor — uma conexão divina entre sua alma e o mundo natural ao seu redor.
Amanhã teremos mais um capítulo do curioso caso de jovem estigmatizado e como será visto pelo mundo ! Não perca ! Ana Pujol
Enviado por Ana Pujol em 28/11/2024
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